PL de Mato Grosso pagou R$ 713 mil a empresas ligadas a familiares de dirigentes entre 2024 e 2026
O Diretório Estadual do Partido Liberal (PL) em Mato Grosso realizou, entre 2024 e 2026, pagamentos que somam R$ 713 mil a empresas pertencentes a familiares de dois dirigentes da legenda: o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, e o presidente estadual do partido, Ananias Filho.
Conforme as prestações de contas mencionadas na reportagem, R$ 168 mil foram destinados à Moumers e Moumers Consultoria Ltda., empresa que pertence a Manoel Abilio Moumer Ribeiro, pai do prefeito de Cuiabá.
Aberta em janeiro de 2024, a consultoria começou a prestar serviços ao PL estadual em março daquele ano. As notas fiscais descrevem atividades de gestão política, relacionamento com filiados, cadastramento de novos membros, orientação partidária e apoio administrativo ligado às ações da legenda.
Grande parte dos documentos fiscais foi emitida em sequência, da nota número 1 à número 23. De acordo com a apuração, esse padrão indica a possibilidade de o diretório do PL ser o principal cliente formal da empresa durante o período analisado.
Os repasses totalizaram R$ 77 mil em 2024, R$ 84 mil em 2025 e R$ 7 mil em 2026.
Empresa ligada ao irmão de Ananias recebeu R$ 545 mil
As prestações de contas também registram pagamentos à D’Moura & Lanhes Sociedade de Advogados. Um dos sócios do escritório é o advogado Gilmar D’Moura, irmão de Ananias Filho, presidente estadual do PL e atual secretário de Governo da Prefeitura de Cuiabá.
O escritório recebeu R$ 545 mil entre 2024 e junho de 2026 pela prestação de serviços técnicos de consultoria jurídica. Foram pagos R$ 252 mil em 2024, R$ 272 mil em 2025 e R$ 21 mil nos primeiros meses de 2026, conforme o fechamento parcial das contas.
Os repasses ocorreram durante um período em que o PL de Mato Grosso recebeu aproximadamente R$ 7 milhões em recursos partidários. Entre 2024 e junho de 2026, a legenda declarou uma arrecadação de R$ 6.958.375,70, proveniente principalmente da Direção Nacional do partido.
Partido foi punido por aplicação insuficiente de recursos
No mesmo período, o PL mato-grossense foi alvo de decisões da Justiça Eleitoral relacionadas ao descumprimento de regras para o incentivo à participação de mulheres e pessoas negras na política.
Em abril de 2026, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso determinou que a legenda recolhesse R$ 15 mil ao Tesouro Nacional e transferisse R$ 68 mil para uma conta específica destinada à promoção e à ampliação da participação política feminina.
A medida foi adotada porque, segundo a decisão, o diretório não realizou os investimentos mínimos exigidos pelo Tribunal Superior Eleitoral para essa finalidade.
Também em abril, o TSE determinou que o PL de Mato Grosso devolvesse R$ 194 mil por não ter aplicado o percentual mínimo de recursos partidários em candidaturas negras nas eleições municipais de 2024.
Prefeitura nega irregularidades
Procurada pela reportagem, a assessoria do prefeito Abilio Brunini afirmou que Manoel Abilio Moumer Ribeiro presta serviços regulares ao Diretório Estadual do PL desde 2024, por meio de sua pessoa jurídica.
Segundo a nota, os R$ 168 mil não correspondem a um pagamento isolado, mas à soma das remunerações recebidas ao longo de mais de dois anos de trabalho, com emissão das respectivas notas fiscais.
A assessoria declarou ainda que não existe irregularidade na contratação e que Manoel Moumer exerce efetivamente as funções previstas no contrato, sendo remunerado pelos serviços realizados.
O presidente estadual do PL, Ananias Filho, também foi procurado e declarou que o pai do prefeito atua diariamente nas atividades do partido desde 2024. De acordo com ele, Manoel auxilia a presidência da legenda em diferentes ações, incluindo viagens, e não existe impedimento legal para a contratação.
Manoel Moumer foi procurado para comentar os pagamentos, mas não respondeu à solicitação da reportagem.








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