Justiça torna 10 réus por suspeita de lavar dinheiro para o Comando Vermelho em Cuiabá
A Justiça de Mato Grosso recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra dez pessoas acusadas de integrar uma estrutura responsável pela lavagem de dinheiro do Comando Vermelho. Com a decisão, os investigados passam à condição de réus pelos crimes de organização criminosa e lavagem de capitais.
A denúncia foi aceita pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, e tem como base uma investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).
Celular apreendido deu origem à investigação
As apurações começaram após a apreensão de um telefone celular durante uma revista realizada em uma unidade prisional, em 29 de novembro de 2023. A análise pericial apontou que o aparelho pertenceria a Marcelo Augusto Moraes Gaspar, conhecido como “Tim Maia”.
Segundo o Gaeco, mesmo preso, Marcelo exerceria a função de administrador financeiro da facção. Ele seria responsável por organizar prestações de contas semanais referentes a valores obtidos por meio do tráfico de drogas e de fraudes digitais, especialmente golpes aplicados com anúncios na plataforma OLX.
A investigação sustenta que Marcelo ocupava uma posição intermediária na hierarquia do grupo criminoso. Para dificultar sua identificação, ele utilizaria o nome “Júlio Almeida de Gaspar” nas comunicações.
Ainda conforme a denúncia, o acusado coordenava a movimentação do dinheiro e orientava outros integrantes sobre a realização dos golpes e a administração do chamado “caixa da quebrada”, expressão usada pela organização para identificar os recursos controlados em determinadas regiões.
Familiares teriam sido utilizados para movimentar valores
O Ministério Público afirma que parentes de Marcelo eram utilizados como “laranjas” para receber e transferir dinheiro. Entre as pessoas citadas estão a irmã dele, Daniele Moraes Gaspar, e a mãe, Márcia de Moraes Gaspar, que teriam movimentado quantias expressivas seguindo orientações do acusado.
As transações, segundo os investigadores, faziam parte de uma estrutura criada para ocultar a origem criminosa dos valores e dificultar o rastreamento dos recursos.
Torneios e manutenção de estádio são citados na denúncia
A investigação também aponta que parte do dinheiro era destinada a atividades apresentadas como ações comunitárias. Entre elas estariam a manutenção do Mini Estádio do Tijucal e a realização de campeonatos de futebol amador.
Para o Gaeco, essas iniciativas seriam usadas para melhorar a imagem da organização e ampliar sua influência sobre os moradores. A intenção, conforme a acusação, seria criar a percepção de que o grupo atuava em benefício da comunidade.
Réus serão chamados para apresentar defesa
Ao receber a denúncia, o magistrado considerou que os elementos apresentados são suficientes para a abertura da ação penal. O juiz ressaltou que, nesta etapa, não é necessário concluir pela culpa dos acusados, mas verificar a existência de indícios de autoria e materialidade.
Com o prosseguimento do processo, os dez réus serão citados para apresentar suas defesas. Na fase de instrução, testemunhas indicadas pelas partes deverão ser ouvidas, entre elas delegados e investigadores da Polícia Civil.
O magistrado também determinou que eventuais pedidos de liberdade ou de devolução de bens apreendidos sejam apresentados separadamente, com o objetivo de evitar atrasos no andamento da ação principal.
O recebimento da denúncia não representa condenação. A responsabilidade dos acusados será analisada ao longo do processo, com garantia do direito à defesa e ao contraditório.








Publicar comentário