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Júri de Carlinhos Bezerra é adiado após saída da defesa e restrições à imprensa

O julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, foi adiado nesta terça-feira (21), no Fórum de Cuiabá, após a defesa do réu deixar o Tribunal do Júri. A sessão também ficou marcada por limitações incomuns ao trabalho dos profissionais de imprensa.

Além de não poderem transmitir o julgamento, os jornalistas presentes foram proibidos de registrar imagens de Carlinhos durante a sessão. As restrições chamaram atenção por serem diferentes das regras adotadas em outros júris recentes de grande repercussão realizados na capital mato-grossense.

No julgamento do policial civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, condenado pela morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz, os veículos de comunicação puderam acompanhar os atos públicos e produzir imagens normalmente.

Situação semelhante ocorreu durante o júri de Alex Roberto de Queiroz Silva, condenado a 33 anos e dez meses de prisão pelo assassinato do advogado Renato Nery. Naquela ocasião, não foram registradas restrições equivalentes à atuação da imprensa.

Filho do ex-governador Carlos Bezerra, Carlinhos responde por feminicídio qualificado pela morte da ex-companheira Thays Machado e por homicídio qualificado contra Willian Cesar Moreno. O caso está entre os crimes de maior repercussão registrados em Mato Grosso nos últimos anos.

Diante do elevado interesse público do processo, a diferença nas regras aplicadas durante os julgamentos levanta dúvidas sobre a uniformidade dos critérios adotados pelo Poder Judiciário para permitir o acesso e o trabalho da imprensa.

A divulgação dos atos processuais é considerada um princípio fundamental da Justiça. Por isso, restrições excepcionais costumam demandar justificativas claras, especialmente em processos que provocam ampla mobilização social.

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