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Mendes contesta dados e diz que facções “viraram franquia” em Mato Grosso

Governador afirma que crime organizado se espalhou pelo país como modelo de negócio e rebate dados que apontam presença de facções em 65% dos municípios de Mato Grosso.


O governador Mauro Mendes (União Brasil) afirmou, nesta quinta-feira (27), que as facções criminosas se transformaram em uma espécie de “franquia” no Brasil. Para ele, o avanço do crime organizado segue um padrão nacional que também afeta Mato Grosso.

O comentário foi feito após a apresentação do balanço do Programa Tolerância Zero contra facções criminosas. Mendes disse que o Estado mantém ações constantes, mas enfrenta limites impostos pela legislação.

“O governo tem feito ações sistemáticas contra o crime organizado. Mas é muito difícil combater esse instrumento das facções criminosas, que virou franquia, com um modelo de negócio espalhado pelo Brasil inteiro e pelo Mato Grosso inteiro”, afirmou.

Os dados citados pelo governador contrariam levantamento nacional que aponta forte capilaridade dessas organizações no estado. Segundo o estudo “Cartografias da Violência na Amazônia”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 65% dos municípios mato-grossenses já registram presença de alguma facção. Isso significa 92 dos 142 municípios do estado.

A fala de Mendes ocorre após a polêmica declaração feita na quarta-feira (26), quando disse “não ser crime pertencer à facção”. No dia seguinte, ele ponderou afirmando que o cenário local difere de estados onde grupos criminosos controlam territórios inteiros.

“Aqui não tem nenhum bairro que eles dominam como dominam em alguns estados. Eles estão presentes, e alguns deles com atividades cinzas. Vender gás no bairro não é ilegal, vender internet no bairro não é ilegal”, explicou.

O governador também contestou interpretações dos índices de violência e criticou análises isoladas. “Se eu olhar a estatística que me interessa, eu só vou ver coisa ruim. Se eu olhar a estatística que me interessa, eu só vou ver coisa boa. O governo olha a média do Estado. E, na média, mais de 90% dos nossos indicadores melhoraram”, disse.

Mendes ainda citou a influência da proximidade com a Bolívia, especialmente em municípios de fronteira, como fator que atrai facções ligadas ao tráfico internacional de drogas.

Ele reforçou que limitações legais têm dificultado ações policiais. “Muitas vezes fazemos apreensão de criminosos, eles vão para a audiência de custódia e, porque a lei assim o permite, voltam para a rua no dia seguinte e continuam praticando crimes”, concluiu.