Relatório aponta maior pagamento de emendas a deputados da base do governo em Mato Grosso.
O pagamento de emendas parlamentares na Assembleia Legislativa de Mato Grosso tem favorecido deputados da base aliada do Palácio Paiaguás, segundo levantamento publicado pelo jornal A Gazeta com base em dados oficiais do governo estadual.
O relatório técnico foi produzido pela Secretaria Adjunta do Orçamento Estadual, vinculada à Secretaria de Estado de Fazenda, e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal. O STF analisa uma ação direta de inconstitucionalidade movida pelo Poder Executivo contra a lei estadual que ampliou o percentual destinado às emendas impositivas.
De acordo com os dados referentes ao período de 2023 a maio de 2026, o deputado Dilmar Dal Bosco, líder do governo na Assembleia, aparece no topo da lista. Ele teve R$ 68.128.163,34 em emendas efetivamente pagas nos últimos quatro anos.
Os maiores repasses ao parlamentar ocorreram em 2024 e 2025. Nesses dois anos, Dilmar recebeu R$ 24,4 milhões e R$ 25,3 milhões, respectivamente.
Logo atrás dele aparecem outros deputados ligados à base governista. Elizeu Nascimento soma R$ 67.515.754,49 em emendas pagas no período. Em seguida está Dr. Eugênio, com R$ 66.815.534,07, com projetos voltados principalmente para a região do Araguaia.
Também aparecem entre os maiores valores pagos os deputados Thiago Silva, com R$ 64,9 milhões, Max Russi, presidente da Assembleia, com R$ 64,8 milhões, e Eduardo Botelho, ex-presidente da Casa, com R$ 63,8 milhões.
Na outra ponta do levantamento estão parlamentares de oposição ou com postura mais crítica ao governo. Segundo o relatório, esses deputados tiveram menor volume de emendas pagas nos últimos quatro anos.
A diferença aparece com mais força nos dados parciais de 2026, consolidados até junho. Enquanto Fábio Tardin lidera o ano, com R$ 9,058 milhões pagos, deputados como Valdir Barranco, Wilson Santos e Janaina Riva chegaram ao período sem pagamento de emendas referentes ao orçamento deste ano.
A divulgação dos dados ocorre em meio à disputa entre Executivo e Legislativo sobre o pagamento das emendas. O tema deve ampliar a tensão na Assembleia, especialmente diante do calendário eleitoral e das restrições legais para repasses em ano de eleição.
O relatório enviado ao STF também mostra quais municípios mais receberam emendas parlamentares de execução obrigatória em 2025. Chapada dos Guimarães lidera a lista, com R$ 13,82 milhões pagos.
Na sequência aparecem Poconé, com R$ 9.335.885,10; Várzea Grande, com R$ 8.717.426,06; Água Boa, com R$ 8.699.759,97; e Santa Terezinha, com R$ 7,7 milhões.
Também estão entre os dez municípios mais contemplados Alto Araguaia, com R$ 7.487.592,95; Querência, com R$ 6.122.043,00; Nova Monte Verde, com R$ 5.615.568,30; São Félix do Araguaia, com R$ 5,5 milhões; e Nobres, com R$ 5,45 milhões.
O documento aponta ainda repasses para Boa Esperança do Norte, considerada a cidade mais nova do país. O município recebeu R$ 1,4 milhão em emendas pagas, o equivalente a 0,5% do total distribuído às cidades.
Por outro lado, sete municípios não receberam emendas parlamentares pagas no período analisado. A lista inclui Nova Santa Helena, Campos de Júlio, Alto Taquari, Itanhangá, Jangada, Marcelândia e Nova Maringá.







