Justiça mantém prisões e determina perícia em investigado por esquema de R$ 13 milhões ligado ao CV
O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, manteve a prisão preventiva de investigados na Operação Ludus Sordidus, que apura a movimentação de aproximadamente R$ 13 milhões por meio de apostas clandestinas, tráfico de drogas, estelionatos e lavagem de dinheiro supostamente vinculados ao Comando Vermelho.
Na decisão publicada nesta segunda-feira (3), o magistrado determinou ainda que Sebastião Lauze, conhecido como “Dono da Quebrada”, seja submetido a uma perícia médica solicitada por sua defesa. Já o influenciador Dainey Aparecido permanecerá preso.
As prisões de Ozia Rodrigues e Weberton Silva também foram mantidas. Conforme o entendimento do juiz, o encerramento da etapa de produção e coleta de provas não afasta a necessidade de preservação da ordem pública.
A decisão destaca que os crimes investigados, especialmente a lavagem de dinheiro e a exploração de apostas ilegais, teriam caráter permanente. Por esse motivo, a manutenção das prisões seria necessária para impedir a continuidade das atividades atribuídas à organização criminosa.
O magistrado também apontou que, neste momento, não seria possível substituir a prisão de Dayney da Costa por monitoramento eletrônico, pois existem outros mandados de prisão em vigor contra ele. A ordem judicial estabeleceu ainda os procedimentos que deverão ser adotados para a realização da avaliação médica de Sebastião Lauze.
Bloqueio milionário e imóveis indisponíveis
Em agosto de 2025, ao autorizar a Operação Ludus Sordidus, a juíza Fernanda Mayumi Kobayashi acolheu um pedido da Polícia Civil e determinou o bloqueio de R$ 13.318.495,67. A magistrada também ordenou o sequestro e a indisponibilidade de diversos imóveis relacionados aos investigados Sebastião Lauze, Ozia Rodrigues e Thailla Momesso Rondon.
Em nome de Sebastião, foram atingidas oito salas comerciais localizadas na Avenida Domingas Alves da Costa, em Cuiabá, além de um apartamento, uma residência no bairro Santa Laura e dois imóveis no Jardim Liberdade.
Ozia e Thailla, por sua vez, tiveram uma casa e outros dois imóveis bloqueados, todos situados na capital mato-grossense.
Investigação aponta apostas ilegais e empresas de fachada
Sebastião Lauze é apontado como presidente do SN Futebol Clube, equipe com títulos no futebol amador. De acordo com as informações reunidas durante a investigação, ele teria exercido influência sobre esquemas envolvendo jogos clandestinos, golpes e tráfico de drogas.
Os investigadores sustentam que Sebastião utilizava o time de futebol e outras empresas consideradas de fachada para ocultar e movimentar valores de origem ilícita. Ele supostamente recebia, todos os meses, 10% dos lucros obtidos por uma plataforma de apostas ilegais, além de recursos provenientes do tráfico e de fraudes praticadas em sites de compra e venda.
João Bosco, irmão de Sebastião, também aparece entre os investigados. Segundo a apuração, ele receberia 10% dos valores movimentados pelas casas de apostas clandestinas.
Outro nome citado é Ozia Rodrigues, conhecido como “Shelby”. Ele é apontado como integrante responsável por funções disciplinares dentro do Comando Vermelho e já havia sido preso anteriormente por supostamente liderar um esquema de extorsão contra empresários de Várzea Grande e Rondonópolis.
Ozia foi detido durante a Operação “A César o que é de César”, deflagrada em fevereiro de 2025. Thailla Momesso Rondon, esposa dele, também é investigada por uma suposta atuação direta no grupo.
Dainey Aparecido e Renan Curvo aparecem ainda entre os alvos da investigação. Dainey, que já havia sido preso por tráfico de drogas, publicava nas redes sociais imagens de viagens, cruzeiros, grandes quantias em dinheiro e uma rotina de luxo.
Ele também é apontado como responsável pelas casas de apostas “Gol Bet” e “Campeão Bet”, que, conforme a investigação, teriam ajudado a financiar as atividades da facção. Renan Curvo teria envolvimento com os mesmos negócios de apostas.
Operação cumpriu 38 ordens judiciais
A Operação Ludus Sordidus foi responsável pelo cumprimento de 38 ordens judiciais destinadas a desarticular o esquema e recuperar bens adquiridos com dinheiro supostamente ilícito.
As investigações começaram em dezembro de 2023, depois que uma reunião comunitária realizada no bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá, foi interrompida por integrantes da facção criminosa. Segundo a apuração, o encontro foi encerrado sob ameaças, em uma aparente demonstração de poder do grupo.
A suspeita é de que a interrupção tenha ocorrido por motivação política. A irmã de um dos investigados seria pré-candidata a vereadora, e a presença de um secretário de Estado teria levado os criminosos a interpretar a reunião como um evento de natureza eleitoral.
Durante a apuração, a polícia identificou veículos de luxo, casas, prédios comerciais e galerias de lojas considerados incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.
Parte desses bens foi alvo de sequestro judicial. As medidas têm como objetivo recuperar ativos, impedir a continuidade da lavagem de dinheiro e enfraquecer financeiramente o grupo.
A investigação também aponta que a organização utilizava pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, para registrar veículos, adquirir propriedades e receber valores provenientes das atividades ilegais.








Publicar comentário