Presa por suspeita de se passar por advogada, “Rapunzel Cuiabana” acumula 66 boletins de ocorrência, diz delegado
Kamila Gonçalves Vieira, conhecida nas redes sociais como “Rapunzel Cuiabana”, possui cerca de 66 boletins de ocorrência registrados entre 2018 e 2026, segundo informou o delegado Honório Delta. Ela foi presa no dia 3 de agosto, em Primavera do Leste, após ser investigada por supostamente se apresentar como advogada e atuar na negociação do divórcio de um casal.
Com mais de 40 mil seguidores nas redes sociais, Kamila já havia sido citada anteriormente em investigações relacionadas a suspeitas de golpes em Cuiabá.
A prisão mais recente foi realizada por policiais da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Primavera do Leste. A investigada foi localizada em um estabelecimento comercial no bairro Buritis II.
Ocorrências anteriores
Entre os registros envolvendo Kamila está o relato do proprietário de um apartamento que procurou a Polícia Militar depois de perceber o desaparecimento de diversos objetos do imóvel que havia alugado para ela.
Segundo a denúncia, durante uma vistoria foram constatadas as ausências de uma cama, eletrodomésticos e um aparelho de ar-condicionado.
A polícia também recebeu informações sobre outro imóvel alugado pela investigada onde objetos teriam desaparecido.
Parte desses bens teria sido localizada posteriormente em um galpão onde Kamila estava residindo. No mesmo endereço, conforme a investigação, também foram encontrados pertences de outras pessoas que haviam comunicado o desaparecimento de objetos de suas casas.
Com o avanço das apurações, a Polícia Civil passou a investigar a suspeita de que a influenciadora estivesse envolvida em um esquema de furtos praticados em apartamentos em diferentes regiões da cidade.
Suspeita de atuar como advogada
Na ocorrência que resultou na prisão de 3 de agosto, Kamila é investigada por supostamente ter se apresentado como advogada para intermediar o divórcio de um casal em Primavera do Leste.
De acordo com a polícia, ela teria atuado em favor do homem envolvido na separação e solicitado diversos pagamentos sob a justificativa de que os valores seriam repassados à ex-companheira dele. A investigação aponta, porém, que o dinheiro teria sido destinado à própria suspeita.
Em outra situação apurada no mesmo caso, a vítima teria entregado o próprio veículo acreditando que o automóvel seria transferido à ex-mulher. Segundo a Polícia Civil, Kamila teria ficado com o carro.
Durante diligências realizadas no endereço relacionado à investigada, os policiais localizaram e recuperaram o veículo.
Histórico foi usado em pedido de prisão
Em entrevista ao G1, o delegado Honório Delta afirmou que Kamila mantinha uma aparência de elevado padrão financeiro, utilizando roupas de marca e morando em bairros considerados nobres.
Ainda segundo o delegado, os golpes investigados geralmente envolveriam quantias menores, na faixa de R$ 10 mil a R$ 20 mil, estratégia que, na avaliação policial, poderia reduzir a atenção sobre as ocorrências.
O delegado informou ainda que o número de registros envolvendo a investigada foi um dos elementos apresentados pela Polícia Civil para fundamentar o pedido de prisão preventiva.
As investigações continuam para esclarecer a participação de Kamila nos episódios denunciados e identificar possíveis outras vítimas.








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