Polícia Civil investiga suposto desvio de cestas básicas em Barra do Garças
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta sexta-feira (3), a Operação Mesa Vazia, em Barra do Garças, para apurar um possível esquema de desvio de cestas básicas destinadas a famílias em situação de vulnerabilidade social. A investigação aponta que aproximadamente 13 mil unidades, além de kits de higiene e limpeza, podem ter sido retiradas de sua finalidade pública.
O prejuízo estimado é de cerca de R$ 1,95 milhão. Entre os investigados estão vereadores do município, suspeitos de participação no esquema. A Justiça também autorizou medidas cautelares, incluindo o afastamento de agentes públicos de suas funções.
Ao todo, são cumpridas 47 determinações judiciais. O objetivo da operação é recolher documentos, aparelhos eletrônicos, registros digitais e outros materiais que possam ajudar a esclarecer como os produtos eram desviados, quem participou da suposta fraude e qual foi o destino final das cargas.
De acordo com as investigações, parte dos alimentos e itens de higiene que deveria ser entregue pela rede oficial de assistência social teria sido direcionada para uma estrutura paralela de distribuição. Esse fluxo, segundo a Polícia Civil, funcionaria sem controle institucional, sem transparência e sem a devida prestação de contas.
A apuração busca verificar se os produtos foram usados para beneficiar grupos específicos ou interesses particulares, em vez de atender regularmente a população que dependia do auxílio público.
A Operação Mesa Vazia mobiliza cerca de 90 policiais civis das regionais de Barra do Garças e Água Boa. A ação também conta com apoio técnico da Perícia Oficial e Identificação Técnica, a Politec, da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania, a Setasc, e da Secretaria Municipal de Assistência Social.
Os materiais apreendidos durante o cumprimento das ordens judiciais passarão por análise pericial e investigativa. A expectativa é que os dados coletados ajudem a reconstruir a movimentação das cestas básicas e a identificar todos os possíveis envolvidos.
As investigações seguem em andamento. Até decisão final da Justiça, os citados são tratados como investigados, sendo assegurados o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência.







