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Vazio sanitário reforça proteção da soja contra ferrugem asiática em Mato Grosso

Durante a entressafra da soja, produtores de Mato Grosso mantêm a atenção voltada ao cumprimento do vazio sanitário, período em que é proibida a existência de plantas vivas da cultura nas propriedades rurais. A medida é considerada essencial para reduzir os riscos provocados pela ferrugem asiática e proteger o potencial produtivo da próxima safra.

A regra foi estabelecida pelo Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas, ligado ao Ministério da Agricultura e Pecuária. O objetivo é interromper o ciclo de sobrevivência do fungo responsável pela doença entre uma temporada de cultivo e outra.

Ao diminuir a presença do patógeno antes do início do novo plantio, o vazio sanitário reduz a pressão inicial da ferrugem nas lavouras. Isso permite que os produtores realizem um controle fitossanitário mais eficiente ao longo do ciclo da cultura.

A estratégia também pode diminuir a quantidade de aplicações de fungicidas durante a safra. Com isso, além de preservar a produtividade, os agricultores conseguem reduzir custos e melhorar a eficiência do manejo da doença.

Em Mato Grosso, a adoção da medida é obrigatória. Durante o período determinado, os produtores precisam eliminar plantas voluntárias, também chamadas de “tigueras”, e qualquer soja remanescente nas áreas de cultivo. O não cumprimento da norma pode provocar notificações, aplicação de multas e outras penalidades previstas na legislação.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso, Lucas Costa Beber, avalia que a implantação do vazio sanitário marcou uma mudança importante no combate à ferrugem asiática.

Segundo ele, antes da adoção da medida havia soja cultivada durante praticamente todo o ano, situação que facilitava a permanência e a disseminação do fungo. A interrupção desse ciclo ajudou a reduzir a ocorrência da doença, aprimorar o controle nas propriedades e diminuir os gastos dos produtores.

O modelo aplicado em Mato Grosso passou a servir de referência para outras regiões produtoras do país e também despertou o interesse de representantes do setor agrícola no exterior.

O conselheiro consultivo da Aprosoja MT, Endrigo Dalcin, recorda que a ferrugem asiática causou prejuízos significativos nas lavouras mato-grossenses no início dos anos 2000, quando as estratégias de prevenção e controle ainda estavam em desenvolvimento.

De acordo com Dalcin, a ausência de plantas vivas de soja durante a entressafra permite que o cultivo seguinte seja iniciado com uma presença menor do fungo. Dessa forma, os produtores podem organizar melhor o calendário de aplicação de fungicidas e obter resultados mais eficientes no controle da doença.

O delegado do núcleo da Aprosoja MT em Diamantino, Mário Zortea Antunes Junior, também destaca que o vazio sanitário contribuiu para diminuir a incidência inicial da ferrugem. A medida, segundo ele, facilita o acompanhamento das plantações e reduz os prejuízos provocados pelo fungo.

Entidades do setor ressaltam ainda que a eficácia da estratégia depende da participação conjunta dos produtores. Como a ferrugem asiática pode se espalhar rapidamente entre propriedades, o respeito às regras em todas as áreas produtoras é considerado indispensável para manter a sanidade das lavouras.

O cumprimento coletivo da norma também ajuda a reduzir riscos fitossanitários, evitar perdas econômicas e preservar a competitividade da soja produzida em Mato Grosso.

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